
Acabo de voltar de três dias em Buenos Aires, três dias que passei a bife e vinho.
Assim que cheguei, fui a Puerto Madero para finalmente conferir a parrilla do
Cabaña Las Lilas. Da última vez que havia passado por lá, cheguei a entrar no restaurante e desisti de comer, por dois motivos: é caro para os padrões portenhos e lembra demais o
Rubaiyat, de São Paulo, que é sócio do local. Ir a restaurante brasileiro, pensei na época, vou no Brasil.
Mas reconsiderei, já que uma boa parte da imprensa local e dos guias internacionais considera a Las Lilas a melhor carne de BA. O sócio de Belarmino Iglesias é um dos mais conceituados pecuaristas do país que produz a melhor carne do mundo.
A recepção, bem ao estilo Rubaiyat, já mostrava que estava diante de um nível de serviço incomum em Buenos Aires ou São Paulo. Como fazia questão de uma mesa no terraço, me encaminharam ao bar, onde foram servido champanhe de cortesia. Ao sentar, o couvert (foto) era quase igual ao do irmão brasileiro. Lá estava eu, duas horas depois de chegar do Brasil, a comer pão de queijo na Argentina. Pão de queijo que, diga-se, era bem pior que o daqui. A mussarela de búfala também não era tão boa, mas o resto do couvert era sensacional.

Quando chegou a carne, um
ojo de bife con papas a provenzal (fritas com alho e salsinha -- e atenção para a vaquinha vermelha), percebi por que Iglesias fez sucesso ensinando o Pai-Nosso ao vigário. A gordura, que normalmente sobra no prato, foi devorada inteirinha. O bife, pedido ao ponto para malpassado, veio ao ponto para bem-passado, mas isso não chegou a comprometer o almoço.

Para terminar, mais uma cortesia da casa: grappa e licor lemoncello caseiros. A conta deu o equivalente a R$ 160 com vinho, para dois. Uma enormidade para Buenos Aires, mas uma pechincha para o Rubaiyat.
Cabaña Las LilasAvenida Alicia Moreau de Justo, 516, Puerto Madero, Buenos Airestel.: +5411 4313-1336Marcadores: comida, restaurantes, viagem