O bom garfo

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009 - 0 Comentários


Amanhã é o dia. De abrir aquela garrafa de vinho especial que você está pegando mofo na adega há tanto tempo. Pelo menos é o que querem dois jornalistas americanos que criaram, dez anos atrás, a Noite de Abrir Aquela Garrafa. Cai sempre num sábado de fevereiro e parece que meio que pegou nos Estados Unidos, onde há festas abertas a gente solitária que não tem com quem dividir aquele vinhão (!!). Eu não posso aderir, já que nenhum vinho dura mais de umas duas semanas na minha casa (brincadeira, tenho garrafa guardada há mais de um mês).

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No início do ano, em Londres, dei uma passada na Fortnum & Mason, uma das lojas mais tradicionais de comida de uma cidade que, ao contrário das minhas expectativas alimentadas por uma antiga visita com orçamento de estudante, é cheia de comida boa. Mas não é de comida boa que eu quero falar. No meio de chocolates, bolos e biscoitos, há um display só com insetos e outros petiscos inusitados. Olha só:

Aranha assada...


...pirulito de formiga ou larva de agave (que faz suas aparições também em garrafas de mezcal, uma bebida mexicana prima da tequila)...


...e vodca com escorpião.

Tinha também um saco cheio de formigas crocantes, que eu pensei em trazer para a redação experimentar. Mas era meu último dia na cidade, eu tinha compras sérias a fazer e acabei esquecendo. Uma pena.


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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009 - 0 Comentários

Os talebans da caipirinha dizem que só merece o nome a bebida feita com limão verdinho e cachaça da branquinha, de sabor mais neutro. Os experimentalistas põem manjericão, pimenta-rosa, pitaya, pisco, clara de ovo, vale tudo. Neste Carnaval, eu subverti só um pouquinho a versão mais conservadora da caipira: troquei o limão-galego (ou seria taiti?) por limão-cravo, aquele que tem a polpa avermelhada e é bastante comum, pelo menos aqui em São Paulo, nesta época do ano. Acabo de descobrir na Wikipédia, mas só em inglês, mal aí, que se trata de uma cruza de limão com tangerina. E usei uma cana de bastante personalidade, a Seleta, que é envelhecida em barris de umburana. O limão tem nome de cravo, mas é a madeira da cachaça que deu gosto de cravo na caipirinha que, modestamente, ficou ótima. Olha a receita aí embaixo.


Ingredientes
2 limões-cravos pequenos ou 1 grande
2 colheres (chá) de açúcar
1 dose generosa de chacaça Seleta (ou outra envelhecida em umburana)
Gelo, muito gelo

Corte os limões em quartos e retire todas as membranas esbranquiçadas que causam amargor. Amasse com açúcar num copo grande, adicione a cachaça e complete com gelo. Você pode usar um copo curto e menos gelo, eu optei fazer uma caipira mais refrescante porque estava derretendo no calor de Ubatuba.

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Oficialmente, o blog estreia (sem acento, ai, ai, vai ser difícil acostumar) na próxima segunda-feira, com pompa, circunstância e a ressaca de um fim-de-semana festivo. Mas as portas já estão abertas para os primeiros "fregueses" que toparam com este endereço na VIP da Sabrina Sato. Como em todo soft opening, os erros abundam... espero poder corrigi-los o mais rápido possível. Agora vou explicar rapidinho o que pretendo postar nesta tal de internete.

Blogs de gastronomia existem aos montes. Tenho uma certa implicância com esse termo, "gastronomia", passa a impressão de algo para iniciados, erudito, até mesmo esnobe. Vou falar de comida, de bebida, de festa, de balada, de coisas que todo mundo faz o tempo todo. Sem afetação, sem frufru, sem reverência excessiva àqueles que, afinal, vivem de satisfazer algumas de nossas necessidades fisiológicas.

Só que é claro que, se você chegou aqui, é por que tem interesse pelo assunto. Eu também, e muito. Não sou chef, mas em casa sou eu quem cozinha. Não sou crítico de gastronomia (olha a palavra de novo), mas gosto de ir a restaurantes e dou, sim, os meus palpites sobre a comida. Não sou enólogo, cachaçólogo ou cervejólogo, mas gosto de vinho, cachaça e cerveja. Enfim, sou um botequeiro comilão que engana na cozinha. E vou escrever sobre comilança e bebedeira com a informalidade e o humor (nem sempre bom humor) que, eu acho, os assuntos merecem. Para iniciar os trabalhos, vamos tomar uma caipirinha.

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