O bom garfo

segunda-feira, 27 de abril de 2009 - 0 Comentários


Que raio essa coisa está fazendo num blog de comida? Que raio, não: que raia. É um peixe seco, e peixe seco é comida. Trata-se de uma Jenny Haniver (aqui em inglês), espécie de carranca feita com raias secas e mutiladas ao ponto de parecer gremlins ou coisa do tipo. Os autores da obra seriam trabalhadores das docas de Antuérpia, Bélgica, que as vendiam como souvenir lá pelos anos 1500. A Wikipédia em inglês chega a dizer que o nome seria uma corruptela cockney de jeune d'Anvers, ou "jovem de Antuérpia" em francês. Sei lá. O verbete em português é tão ruim (toma como hipótese principal a existência de um monstro marinho) que eu decidi não usar o nome que eles dão à coisa, garadiávolo.
Mas a foto está aí. Foi tirada num mercado do Japão pelo blog Pink Tentacle.

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domingo, 26 de abril de 2009 - 0 Comentários


Se você é de São Paulo, está lá no caderno regional da VIP: o restaurante Chi Fu, um dos chineses mais roots da Liberdade -- e provavelmente o melhor.
Eu e o repórter Fernando Gueiros fomos lá almoçar numa segunda-feira de muito calor. Primeiro perrengue: perguntamos se aceitava cartão e disseram (ou gesticularam) que não, o que nos levou a uma peregrinação aos caixas eletrônicos de uma faculdade vizinha.
Dizem que o nome Chi Fu é um jeito achinesado do escrever seafood ("frutos do mar" em inglês), mas não pudemos tirar isso a limpo porque nenhum dos funcionários da casa fala português muito bem. Falando em tirar a limpo, é preciso algum desapego com esse lance de higiene para aproveitar a experiência Chi Fu. O que não é tão difícil quando a comida começa a chegar à mesa.
Os amendoins que são jogados na toalha plástica enquanto você aguarda o pedido são os melhores do mundo. Não sei como eles conseguem. É só amendoim. Em seguida, o bifum à moda de Cingapura tra camarões miúdos, porco, curry e pimenta (foto). Bom, mas longe de espetacular. A atração do almoço foram os camarões ao vapor com alho. Pedimos os médios por puro pão-durismo e fomos presenteados com mais de uma dúzia de crustáceos gigantescos na casca, abertos pelo dorso, frescos, macios e saborosos. Da próxima eu peço os grandes para ver o que vem.
Uma dica: vá num grupo grande para poder pedir várias coisas. Eu e o Gueiros desperdiçamos metade da comida.
A conta vem em chinês, nem tente conferir.

Chi Fu
r. Barão de Iguape, 50, São Paulo
tel.: 11-3207-4868

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Desisti de tentar entender os japoneses. Aqui temos um toboágua para macarrão somen.

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São Paulo é tão grande e tem um trânsito tão infernal que só se arrisca a atravessá-la quem realmente precisa -- ou tem um ótimo motivo para isso. Moro em Perdizes e trabalho em Pinheiros, ambos bairros da zona oeste. O restaurante Bacalhoeiro, que abriu com certo estardalhaço há poucos meses, fica no Tatuapé, lá no lado leste. Eu precisava conhecer.
Numa tarde calma, no dia seguinte ao fechamento da revista, resolvi aceitar o convite da assessoria do restaurante. Listo abaixo alguns motivos para visitar o lugar. Cabe a você julgar se eles são bons o bastante.
  1. O Tatuapé, para quem passa anos sem visitá-lo (era o meu caso), se tornou um polo de restaurante e bares, alguns deles muito interessantes.
  2. O restaurante em questão tem um ambiente agradabilíssimo, com pé-direito alto, abundância de luz natural e uma dose incomum de verde (plantas, não tinta verde). A área de recreação infantil no fundo destoa um pouco, mas é discreta e, convenhamos, tem uma função prática que compensa a poluição visual.
  3. O bacalhau é muito bom. Comparável ao de casas tradicionais como o Antiquarius e a Bela Sintra, por onde passaram vários dos profissionais da cozinha. Fiquei com a versão à Lagareiro (foto), posta alta, macia, úmida e salgada no ponto, frita no azeite e servida com batatas, brócolis, alho, cebola, tomate e azeitonas. Lutei para comê-lo todo, sem sucesso. Um casal divide sem problemas.
  4. O tal bacalhau custa R$ 89. No Antiquarius, o mesmo prato sai por R$ 169.
Bacalhoeiro
rua Azevedo Soares, 1580, São Paulo
tel.: (11) 2293-1010

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World's Largest Cheeto and the Optimus Maximus from Gizmodo on Vimeo.

Quando achava que os Cheetos gigantes já eram dose para elefante, eis que surge isto: a redação do blog Gizmodo nos Estados Unidos recebe um saco, de tamanho ordinário, com apenas um cheeto (esta palavra existe no singular?) de tamanho absolutamente extraordinário. Adam Frucci se incumbiu da inglória tarefa de devorar o petiscão (suas impressões estão no vídeo e neste texto).
Um amigo meu duvidou da existência de tal aberração, dizendo que o cheetão era uma piada da redação do blog. Contatei outro amigo, o Pedro Burgos, que trabalha no Gizmodo aqui no Brasil e fala com o Frucci o tempo todo. A coisa é verdadeira. Infelizmente. Trata-se de uma peça promocional semicomestível.
Por sinal, a Elma Chips (Frito Lay, nos EUA) mandou uma saco de 5 kg de Doritos para a redação da VIP no ano passado. Após uma semana e meia sendo consumido aos poucos, em emergências e desatinos dos profissionais, o presente desapareceu misteriosamente.

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quarta-feira, 15 de abril de 2009 - 0 Comentários


Sensacional! Está em norueguês, mas dá para entender fácil. Esse programinha calcula o tempo necessário para você fazer um ovo cozido perfeito baseado em quatro fatores: o tamanho do ovo, o ponto desejado (mole, médio ou duro), a temperatura inicial do ovo e a altitude em que você se encontra (que vai determinar o ponto de fervira da água). Após inserir esses dados no computador (e o ovo na panela), aperte "play" para iniciar o timer. Link aqui.

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sexta-feira, 10 de abril de 2009 - 0 Comentários



Faltam-me palavras para descrever tal aberração. Pego emprestadas as do blog Serious Eats (se você não souber ler inglês, as imagens acima já bastam).

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Com alguns anos de atraso, São Paulo entra na onda da comida peruana -- ou novandina, como gostam de dizer os adeptos dessa culinária que mistura técnicas francesas com um ou outro ingrediente peruano. O Killa, em Perdizes, é um dos três restaurantes novandinos que abriram mais ou menos ao mesmo tempo em São Paulo. Ocupa um imóvel minúsculo que antes abrigava o Piccolo Bistrot.
Se alguém ainda não sabe, o arroz-com-feijão do Peru (e de toda a costa Pacífica do Chile ao México) é o ceviche: peixe e frutos-do-mar crus, marinados em suco de limão com cebola, coentro e pimenta. No cardápio do Killa há quatro variações, todas preparadas aos olhos da clientela por Thiago Kubota, um japinha de 21 anos e cabelos descoloridos à moda toquiota. Fui na tradicional (foto), de peixe branco, camarão, lula, batata-doce e milho-verde. Realmente bom demais, com um detalhe sensacional: a porcelana em que o prato é servido tem uma canaleta por onde é possível sorver o leche de tigre, caldinho ácido que sobra depois que o peixe já era.
Como nada é perfeito, a porção é pequena demais para os vinte e tantos reais cobrados. Os chicharrones, iscas de frango empanado em quinua, são bons, mas não emocionam. O serviço estava muito, muito ruim no dia da visita: fomos atendidos por um garçom que não sabia descrever direito os pratos, que demoraram para chegar à mesa. Se serve como desculpa, a casa havia sido destaque nos dois maiores jornais paulistanos naquele dia.

Killa rua Tucuna, 689, Perdizes, São Paulo Tel.: (11) 3872 1625

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Anandita Dutta Tamuly comeu 51 das pimentas mais poderosas do mundo em dois minutos, ante um estupefato Gordon Ramsay. De quebra, a doidona ainda esfregou a pimenta nos olhos, como se refresco fosse. O vídeo da BBC é impressionante.

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domingo, 5 de abril de 2009 - 0 Comentários


...eis que alguém resolveu criar a Baconcyclopedia, para reunir todas as coisas legais ou simplesmente tontas que têm sido escritas (e feitas) a respeito de bacon na internet e no mundo real.

Bônus:
Que tal este cofrinho em forma de bisteca?

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Sacanagem das grossas do blog ThinkGeek. O tal bacon em pasta não existe. Ou melhor, existe, mas os americanos que fazem o blog não se deram ao trabalho de importá-lo da Suécia para fazer o vídeo. A narração, aliás, é a letra de Never Gonna Give You Up, de Rick Astley, no idioma de Ingmar Bergman.

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sexta-feira, 3 de abril de 2009 - 0 Comentários


Gostei do Roux antes mesmo de a comida chegar à mesa. Trata-se de um tipo de restaurante raro em São Paulo, com comida requintada -- porém sem deslumbramento -- a preços razoáveis. O chef Arthur Sauer carrega no currículo aulas com medalhões do calibre de Paul Bocuse e Daniel Boulud, além de alguma quilometragem nas cozinhas do Parigi, do La Tambouille (ambos em SP) e do Fasano Al Mare (no Rio). Aqui, sua culinária não viaja demais, o que é bom. O carro-chefe do cardápio é o picci, tipo de massa longa feita na casa. A versão com molho de tomate e rabada custa R$ 28 e é irrepreensível, com massa al dente e carne úmida sem ser gordurosa. Outro prato anunciado como um dos pilares da casa, o filé de leitão ao molho de pimenta-verde com gratinado de batata e maçã assada (foto), veio mais cozido do que levava a crer a imagem de divulgação. Muito bom de qualquer modo, embora eu prefira cortes suínos menos magros. A sobremesa que eu escolhi, um crumble de amêndoas com calda de baunilha e sorvete caseiro de chocolate, dá vontade de repetir. O ponto fraco ficou nos pães servidos no couvert -- feitos no restaurante e iguais àquilo que você conhece por "pão caseiro", de massa quebradiça e casca fina, mais próximos de um bom pão de forma. Mas quem sou eu para reclamar? Eles são cortesia da casa, o que também é uma bem-vinda raridade nesta cidade.

Roux
Al. Ministro Rocha Azevedo, 1101
Cerqueira César
11 3062 3452

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quarta-feira, 1 de abril de 2009 - 0 Comentários


Finalmente fui conhecer um dos grandes templos da baixa gastronomia em SP, o Bar do Biu, boteco de estirpe. Lugar simples, cerveja geladíssima, comida em porções colossais. E gostosa. A especialidade da casa, o baião-de-dois, veio com rabada (foto acima) e com carne-de-sol. As duas excelentes.
Em seguida, a mulatinha assanhada -- carne de panela com farofa de feijão-de-corda (foto acima) -- veio com celulite, digo, excesso de gordura nas fatias de lagarto (ou o que fosse aquela carne). Para finalizar, a mesa de sete pessoas ainda dividiu uma vaquejada, carne-de-solo acebolada com farofa de jerimum. Perfeita. O resultado do banquete é que, quase nove horas da noite, ainda não consigo pensar em comer.

Bar do Biu

R. Cardeal Arcoverde, 776, São Paulo
Tel.: (11) 3081-6739

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