O bom garfo

segunda-feira, 2 de março de 2009 - 0 Comentários

Sabadão, 28 de fevereiro, lá fomos eu e um amigo encarar a Via Dutra com um propósito bem nobre: assistir ao desfile das campeãs do Rio no camarote da Brahma. Devidamente credencidados e uniformizados, entramos num microônibus que percorreu as travessas cheias de cortiços e outras construções decrépitas até estacionar no interior de uma fábrica da qual só sobraram as paredes externas e uma chaminé gigante. Alguns brutamontes guardavam a rampa que levam ao mundo surreal do camarote, onde o chope brota em fontes e as celebridades circulam como se nem ligassem para os paparazzi. Olha eu na foto do alto: lááááá atrás, bem pequeninha, tem a Emanuele Araújo cantando para a platéia de escolhidos. E do lado oposto, os grêmios recreativos escolas de samba se exibiam. Como de samba eu sou analfabeto, me limito a comentar a festa.

Por todo o camarote havia mulheres bonitas -- todas de camiseta laranja, o que dificultava a identificação até das celebridades de nível 2 para baixo-- e chopeiras self-service. Apanhei das danadas (das chopeiras, não das famosas) nos dois primeiros copos, mas tudo correu às mil maravilhas do terceiro ao trigésimo-segundo. Mais impressionante que a abundância de bebida era a reposição de copos limpos de vidro, aparentemente feita por duendes. Havia também geladeiras abarrotadas de latinhas de cerveja com e sem álcool, que encalharam lindamente, além de refris diversos e água. Nada de destilados, o que tornou o ambiente praticamente à prova de vexames etílicos.


No campo dos rangos, tinha um bufê que não emocionava e um espaço botequinesco que servia as frituras de hábito. A coisa mais interessante era um carrinho com garrafas térmicas cheias de caldos -- de feijão, de abóbora e de carne. O Vinícius, que aparece na foto servindo as gatinhas, me explicou que essas tigelas coloridas tinham bacon, salsinha, cebola, pimenta, coisas para "customizar o caldinho". Só faltava essa, caldinho customizado! Brincadeira à parte, o caldinho foi providencial para aguentar a maratona sambística.


Já que comecei a pegar no pé dos caras, vou continuar. Não pude deixar de reparar nas "legendas" dos pratos do bufê. Por que "purê de batatas com roasted garlic" e não "mashed potatoes with alho assado"? E ainda tinha um "arroz branco com wild rice". Desculpem a indigência da foto: não é fácil manter o foco na câmera do celular com um prato na mão e a Patrícia Poeta atrás de você, só esperando a conclusão da palhaçada para poder se servir.

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